Twitter, blogs, sms e a nova comunicação no esporte
Intervalo de partida, o atleta Charlie Villanueva, do Milwaukee Bucks, ouve as instruções do treinador e na sequencia usa o celular para postar a seguinte mensagem no Twitter: “Estou no vestiário, escondido para postar. Estamos jogando contra o Celtics, empatados no intervalo. O técnico quer mais vontade. Preciso melhorar.” Villanueva voltou, marcou 19 pontos, pegou sete rebotes e foi fundamental na vitória por 86 a 77. Dias depois, o médico dá uma dura no jogador e proíbe todos de fazer algo semelhante.
A história ganhou o mundo e deu início a uma discussão sobre a atitude do jogador. O pivô do Phoenix Suns Shaquille O’Neal, um fanático pelo Twitter, apoiou Villanueva e dias depois repetiu o gesto. “Desde que ele faça 25 pontos e pegue 11 rebotes ele pode fazer o que quiser. Ele pode entrar no twitter, facebook, myspace”, disse o treinador do Suns Alvin Gentry.
Nos Estados Unidos diversos times e atletas utilizam das novas mídias, como as redes sociais e blogs, para se aproximar dos seus fãs. Grandes ídolos como Lance Armstrong, que assim que termina uma prova posta seus comentários, ou Tiger Woods, que manteve seus fãs informados sobre a recuperação de sua cirurgia no blog, são alguns daqueles que já escolheram a web para se comunicar com seus seguidores.
O pivô Shaq O’Neal, atualmente, é a personalidade do esporte mais famosa no site Twitter, só perdendo em popularidade para personalidades como a cantora Britney Spears, o ator Ashton Kutcher e o político Barack Obama. Na Europa, o Chelsea também aderiu ao site que já conta com mais de seis milhões de usuários. Os seguidores do clube inglês vão ficar sabendo das últimas notícias do time, bastidores e também receberão ofertas especiais.
O Brasil já é o quinto no mundo em usuários no Twitter, porém pouquíssimos clubes estão presentes fazendo ações relevantes, como incentivar a venda de ingressos e produtos. Atletas são ainda mais raros. O mesmo vale para outras mídias sociais como orkut, facebook e you-tube. Na verdade, a maioria dos sites dos clubes de futebol fica devendo e muito quando o assunto é conteúdo diferenciado, modernidade e interatividade. Mas o que isso pode mudar na comunicação do esporte?
Com os clubes, atletas e fãs cada vez mais presentes na web, para onde vão, por exemplo, os repórteres esportivos? Não há dúvida de que são fundamentais atualmente, pelo trabalho realizado (em alguns casos) e pelos acessos privilegiados. O torcedor gosta dessa intimidade com seus ídolos. Os atletas costumeiramente reclamam da edição que os jornalistas fazem, mudando o tom de suas declarações. Então não fica difícil imaginar que os jogadores poderão fazer vídeos no próprio vestiário pós-jogo e postá-lo no you-tube, certo?
Será que idéia na agradaria Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Dunga e Emerson Leão, que constantemente tem entreveros com a imprensa? Ou mesmo a torcida que cada dia encontra menos qualidade na imprensa esportiva? Só não vale fazer como o ex-dirigente palmeirense Salvador Hugo Palaia e sua antológica autoentrevista.
