Tempos difíceis
Tem razão Hobsbawm: a Primeira Guerra não resolveu nada. Se é verdade que a humanidade perdeu com guerra, quem a venceu? As potências centrais, do ponto de vista estritamente militar, foram derrotadas nos campos de batalha e tiveram seu ímpeto expansionista contido, mas dificilmente pode-se afirmar que – desde uma perspectiva substantiva – a Inglaterra e a França tenham se tornado vitoriosas. A Primeira Guerra destruiu uma ordem, mas não construiu outra. Buscar os “vencedores” da Primeira Guerra é uma tarefa inútil. Talvez possa se falar em beneficiários: os Estados Unidos e os bolcheviques. Os primeiros conheceram uma década de glória – o momento inebriante das flappers, do jazz e dos fast cars -, mas prontamente sucumbiram em uma depressão avassaladora. Os segundos, em meio a desatinos e perseguições, e submetidos a um rigoroso isolamento, trataram de construir a mão de ferro o “socialismo em um só país”. A Alemanha, de sua parte, permaneceu à mercê dos cálculos de risco dos capitais americanos e foi levada de roldão pela voragem da crise econômica. Os acontecimentos que se seguiram foram sinistros. O pesadelo parecia não ter mais fim. A Primeira Guerra apenas inaugurou a marcha da insensatez.

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