O impacto das novas tecnologias sobre os direitos autorais
25 de julho de 2010 – 15:00 | No Comment

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Trilhas de luz

Submitted by André Kadow on 11 de setembro de 2009 – 14:49No Comment
Trilhas de luz

As luzes do cinema e as luzes da fotônica se encontraram na apresentação simultânea de um filme digital transmitido em superalta definição, em tempo real, de São Paulo para San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, e Yokohama, no Japão. O experimento marcou a inauguração da linha de fibra óptica com capacidade de transmissão, via internet, de 10 gigabits por segundo (Gbps) com o exterior que passa a servir a comunidade acadêmica de São Paulo. O evento aconteceu durante o 10º Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File), nos dias 30 e 31 de julho, no teatro do Sesi, na avenida Paulista. O filme Enquanto a noite não chega, com direção de Beto Souza, é o primeiro longa-metragem produzido no Brasil originalmente em 4K, tecnologia de vídeo equivalente a quatro vezes a resolução da TV digital de alta definição usada em todo o mundo ou 24 vezes em relação à TV aberta tradicional. “Na tecnologia 4K não se sente falta da película do cinema”, diz a professora Jane de Almeida, da pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que coordenou o evento com o professor Eunézio Antônio de Souza, do Laboratório de Fotônica da mesma instituição. O experimento, inédito no hemisfério Sul do planeta, também contou com uma conferência em tempo real com projeção na tela do teatro entre pesquisadores brasileiros do Mackenzie e do exterior, do Centro para Pesquisa em Computação e Artes (CRCA na sigla em inglês) e Instituto para Telecomunicações e Informação Tecnológica (Calit2) da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), e do Instituto de Pesquisa para Mídia Digital e Conteúdo (DMC) da Universidade de Keio, em Tóquio.

Na transmissão, o filme e as imagens dos pesquisadores foram transformados em fótons pelos lasers e transportados via fibras ópticas do teatro em São Paulo até as universidades no exterior, sem passar por nenhum fio de cobre ou semelhante. Para cada ponto foram feitas conexões de 1,5 Gbps, ida e volta, somando 3 Gbps. “Trabalhamos no limite da tecnologia em equipamentos ópticos e cinematográficos”, diz o professor Souza, conhecido no meio acadêmico como Thoroh. Em arquivo digital 4K, cada frame do filme, equivalente a um quadro de película fotográfica dos filmes tradicionais, possui 8 milhões de pixels (4.096 x 2.160 pixels) ante 2 milhões da melhor tecnologia televisiva atual (1.920 x 1.080), embora ainda não existam telas comerciais ou de demonstração de TV 4K, apenas projeção. Para um filme digital são necessários 30 frames por segundo. Tamanho descomunal de dados só poderia passar por uma conexão com banda de transmissão equivalente e muito superior aos atuais padrões comerciais. “Para transmitir o filme usamos uma banda de 3,5 Gbps na transmissão, equivalente à capacidade de 3.500 residências conectadas à internet a 1 megabit por segundo (Mbps)”, diz o professor Thoroh. Seu laboratório faz parte da rede KyaTera, a estrutura de cabos de fibra óptica que interliga centros de pesquisa paulistas entre São Paulo, Campinas e São Carlos, a 20 Gbps, dentro do Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da FAPESP. “O evento em 4K, acontecido em julho, serviu como um exercício para a rede KyaTera se conectar ainda este ano, de forma definitiva, a um link internacional.”

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